quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Ontem a tarde (era feriado) o Leonardo conheceu no elevador uma vizinha nova do andar de cima. Eu já até tinha cruzado com ela e a amiga dela (com a qual ela divide apartamento), muito comunicativo (hahaha) o Leo trouxe ela aqui em casa pra fumar um beck com a gente. Fiz umas margueritas pra pensarmos em voz alta (como dizia minha avó alcolatra de Olimpia) e na conversa ela citou que fez moda, trampa em um site de moda e comportamento. Eu falei que era jornalista e que tava super precisando de um trampo. Ela ficou de me indicar lá na redação.

Vamos torcer.


FILTER FREE

Transei com outra pessoa depois de muito tempo. Fui fiel pelo tempo que fique com o M.A., realmente não sei o que ganhei com isso, tampouco sei se perdi algo. Foi gostoso, mas ele é realmente um Mané, depois de muito alcool, cigarros e um pouco de pó, ele veio com um papo super manso.. hahaha
Acabei no flat dele lá na Bela Cintra. Ele é definitivamente muito mais habilidoso com as mãos e lingua do que meu ex-namorado, mas o sexo foi meio mecânico. Muito gemido, meio posado. Assim que acordei, ele já tinha feito o café da manhã, estava de terno e pronto pra sair, eu me vesti o mais rápido que pude, enguli um suco de laranja e me mandei, subi pela Frei Caneca, pensando na vida. Ele realmente mandou muito bem. Mas sei lá, não tava muito preocupado em definir o que tinha sido e nem o que ia ser, se tinha alguma possibilidade de ser algo, de virar algo.
Comprei um sorvete na padaria e fui andar na Paulista.
Acendi um cigarro.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Festa

Ontem resolvemos sair mesmo, o Edu passou aqui com uma garrafa de vodka e começamaos a mata-la falando sobre nossos problemas do coração.
O Edu é o tipo de cara que simpatiza pelo casamento, filhos, uma casa com gramado sem portão e um carro tipo família, apesar disso, não esquece de matar a vontade de nada. Ele tem vinte e quatro anos, filho único e um coração do tamanho do mundo, da pra ver pelos seus enormes olhos castanhos. Ele explicou por cima que os pais dele são diplomatas e não moram no Brasil. Sobre o Leo, eu falo depois, difícil resumi-lo em poucas linhas.
Depois de uma garrafa de vodka e algumas doses de tequila o Leo extendeu três fileiras de cocaína na capa de um CD da Björk e me deu, disse pra eu fazer as honras da casa; já tinha cheirado uma vez, mas lembro que não amei. Mesmo assim mandei a linha inteira pra dentro e passei o CD para o Edu. Chegamos no bar por volta das três da manhã e eu já estava bem louco, sem condição de tomar decisões sabias e bem pensadas.
O Leo me apresentou pra uma série de amigos deles e o Edu parou pra conversar com um em especial, passou a noite toda conversando com ele no final das contas.
Dancei muito anos oitenta, bebi um pouco mais, e esporadicamente fui ao banheiro retocar o efeito do pó. Lá pelas tantas sai pra fumar um cigarro (não se fuma mais dentro de estabelecimento nenhum em toda a São Paulo) e na calçada, conheci um cara que era amigo de um amigo do Edu: o Manuel, vulgo Mané.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

JUMP

Chove fino aqui em São Paulo. Estou esperando o Leo chegar e ver o que vamos jantar, ele me prometeu alguns drinks em algum bar depois... só pra comemorar minha chegada. Daqui da janela do meu mais novo quarto eu consigo ver as pessoas indo e vindo. Será que ela tem noção daonde estão vindo e pra onde vão? Eu não.

Será que é possíver ser feliz sozinho?

Os contos de fadas e todas as histórias de amor nos fazem crer que existe alguém por ai, a nos esperar, alguém tão perfeito e tão cabível pra gente que poderiamos até chamar tal pessoa de "alma gêmea".

Não sei se acredito nesse conceito no final das contas. Quem sabe?

O Leonardo acabou de chegar, vou ver qual a boa de hoje.
A boa é pular sem abrir o para quedas.

sentidos


Acabei de acordar e ligar pra minha mãe, ela mereria uma explicação detalhada do que aconteceu. Desde que liguei pra ela avisando que não ia ter casamento ela anda meio confusa... alias acho que ela esta confusa desde que disse à ela que ia haver o casamento. Meus pais moram em uma cidade no interior de São Paulo chamada Olimpia com minha irmã mais nova. Alias foi nessa cidade que nasci e me criei, foi aonde conheci o Leo e aonde os pais dele ainda moram também. Quando a gente fez dezoito anos ele se mandou pra São Paulo, como era o sonho dele e também o meu, mas na época eu estava muito apaixonado pelo Marco Antonio e acabei resolvendo fazer comunicação na faculdade de São José do Rio Preto pra ficar mais perto dele, já que ele mora lá.
Eu expliquei pra minha mãe todas as razões que eu tinha pra ficar e todas as razões que tinha pra ir embora. Ela ficou meio contrariada, mas entendeu meu ponto de vista, ela passou o telefone pro meu pai, que é um homem muito prático, ele perguntou se eu precisava de dinheiro emprestado (eu preciso), se já tinha emprego em vista (ainda não) e quando ia vê-los (quando desse grana). Desliguei feliz e com uma puta saudade. Pensei em ligar pro Marco, mas desisti.
Arrumei o ap, que estava uma zona e sai pra dar uma volta. Escolhi pra almoçar um restaurante super simpático de pratos frios e saladas e sai pra dar uma volta na Augusta, ver se encontro alguma ideia pelo menos, por onde começar. Minha grana não vai durar muito, mesmo com o que meu pai vai mandar.

To vendo tudo, aspirando tudo, tocando tudo, ouvindo tudo... eu to provando essa cidade.

Luzes da cidade

São Paulo cega.
Não só por sua beleza paradoxal, mas pela quantidade de promessas implícitas entre seu charme e elegância. O Leo e o amigo dele, o Eduardo, foram me buscar na rodoviária do Tietê; a caminho do apartamento do Leo eles decidiram mudar de rumo. Deixei as malas no carro e partimos pra uma festa na zona sul. O Edu é o cara mais maneiro do mundo, me recebeu super bem, já me deu conselhos e um baseado pra esfriar a cabeça e relaxar. A festa acabou agora pouco e acabei de chegar finalmente no Leo. O apartamento dele fica na rua Frei Caneca, mas o quarto que vou ocupar (uma mistura de academia, escritório e biblioteca) tem a janela virada para a rua Augusta. O barulho de ônibus e carros passando vai ser minha canção de ninar hoje, acho bom porque não vai me deixar pensar em nada. Amanhã acordo cedo poque preciso de um emprego e quero começar a explorar essa cidade.


E o tempo? Bom... o tempo é só uma ilusão, bicho!

domingo, 3 de outubro de 2010

Novos rumos sempre vem

é engraçado como é dificil pra mim ser impulsivo. Eu planejo, penso... mas a vida é uma caixinha de surpresas mesmo. Meu amigo Leonardo me ligou de São Paulo. Eu conheço ele desde que ele a gente tem uns doze anos porque a gente estudava junto na escola e eramos tipo melhores amigos. Hoje em dia falo muito menos com ele, porque ele foi pra São Paulo fazer faculdade, mas ainda temos contato. Ele me ligou, disse que eu podia passar uns tempos na casa dele, pra ver o que queria da minha vida.


Me demiti daquela droga de trabalho de assistente em um jornal de bairro aqui em São José (do Rio Preto), peguei minhas coisas mais necessárias (luxos e itens de segunda necessidade foram deixados no ap do Marco e alguns na casa da Mari) depois mando pegar! Parti com uma mochila e uma mala, cheias de esperanças e uma vontade enorme de mudanças. No caminho liguei pra minha mãe e ela me chamou de irresponsável, mas sabe que sempre fui louco pra morar um tempo em São Paulo, me disse que eu precisava acertar as coisas do casamento desfeito: devolver presentes já entregues, desconvidar todo mundo e descontratar todos os serviços, disse que resolveria tudo com o Marco por telefone. Senti um alivio na voz dela, se quer saber. Estou quase chegando na rodoviária e o Leo disse que vinha me buscar com um amigo.


Tudo, visto daqui de dentro do onibus parece maior do que das outras dez ou doze vezes que vim pra cá, ou devo eu estar me sentindo menor, mais desprotegido... mas com uma vontade enorme de devorar isso daqui.

Viver? É uma necessidade.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ao Novo


Ser jovem é dificil em qualquer civilização e em qualquer época da história da humanidade. Comigo não é diferente, e nem deveria de ser. Perfeição nunca combinou comigo realmente.
Ontem cheguei na (no que seria) minha casa nova. Tudo mobiliado, decorado, pronto... do jeito que eu queria. Eu olhei pro Marco e como num acordar de um sonho (ou de um pesadelo) percebi que já tinha percebido que não o amava mais.
Fiz uma cena. Disse o inevitável: "a gente precisa conversar" e "quero um tempo pra pensar se é isso que eu quero".
É... ele concordou com tudo. Disse que sentia o mesmo e que precisava pensar um pouco mais antes de casarmos mesmo. A cerimônia esta (estava) marcada pra sexta feira próxima; convites entregues, lista de presentes e tudo mais que eu achei que queria e tinha direito. O Marco Antônio é (foi) meu primeiro namorado, estamos (estavamos) juntos a três anos, soma-se mais um de noivado, mas eu mudei pro apartamento dele faz dois. Tava na cara que essa história de casar não ia dar certo, eu só não queria ver. A gente tem dez anos de diferença.
Quanto ao término, eu nem chorei sabia? Conversamos tudo o que tinhamos que conversar, falamos tudo o que tinhamos pra falar, de fato colocamos os pingos nos "is".
Depois disso ele me mandou embora. Do apartamento e da casa nova por tempo indeterminado.
Foda-se ele, tava achando tudo muito bege mesmo! A mobilia, a decoração, o convite. Tudo.
Peguei algumas roupas e to aqui na casa da Mari. Não sei o que vai ser daqui pra frente.
Por hora? Uma rodada de tequila pra mim e pra ela.

a vida continua